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A obesidade é um problema sério que atinge grande parte da população brasileira e afeta a qualidade de vida do indivíduo e acarretam diversos outros problemas. Trata-se de uma doença crônica conceituada pela demasia de gordura corporal. Há vários riscos associados, como outras doenças e por isso é definida como um dos maiores problemas de saúde pública em países desenvolvidos. Considera-se que de 2% a 8% dos custos com tratamentos na saúde estão voltados à obesidade (FANDINO, 2004).
De acordo com a OMS, a obesidade é classificada de acordo com Índice de Massa Corporal (IMC) a quanto ao risco de mortalidade que está associada. Se o IMC encontra-se igual de 30kg/m², já e considerada obesidade. Em relação a gravidade da obesidade, tem-se o grau I de IMC 30 à 34,9 kg kg/m², grau II para IMC entre 35 à 39,9 kg/m², e obesidade grau III de IMS acima de 40 kg/m² (FANDINO, 2004).
A obesidade não é um problema atual, a existência de indivíduos com essa doença surgiu cerca de 25.000 anos atrás. No entanto o número de pessoas com a doença está cada vez maior (HALPERN, 1999).
Segundo Halpern (1999), os fatores de crescimento, morbidade e custos relacionado a obesidade, tem se tornado grande preocupação, desencadeando um combate à obesidade por meio de especialistas de diversos lugares.
Algumas pessoas procuram a bariátrica por fins estéticos, no entanto o mais indiciado é para pacientes cujo IMC esteja nos padrões de risco, e doenças associadas que podem melhorar a qualidade de vida desse paciente com a cirurgia.
A realização da cirurgia de redução de estômago permite que a pessoa mude suas atitudes alimentares e o seu estilo de vida. A indicação da cirurgia bariátrica é um dos métodos mais utilizados e eficazes, indicado para as pessoas com obesidade grave.
É necessário realizar uma análise abrangente de múltiplos aspectos clínicos do paciente, antes de indicar a cirurgia bariátrica. O paciente obeso deve ser orientado para a redução de peso com acompanhamento com profissionais que irão auxiliar durante todo o processo, sendo eles, nutricionista, psicólogo, cardiologista, endócrinologista, fisioterapeuta e pneumologista e o fármaco quando necessário. Estes profissionais devem ter conhecimento das alterações provocadas pela obesidade para que assim possam auxiliar e motivar o paciente para o tratamento adequado (COSTA et al, 2009).
O paciente necessita obrigatoriamente passar pelas especialidades antes do procedimento cirúrgico. Uma vez que faltar laudos ou exames de especialistas, fica a critério do hospital se irá negar o encaminhamento a cirurgia ou aceitar. O paciente deve ter em mente que deverá fazer dieta antes, durante e após a cirurgia, e durante toda a vida para manter o peso ideal.
Destaca-se o papel do Psicólogo nesse processo, como fator fundamental tanto no pré e no pós-operatório, auxiliando o indivíduo na busca pelo autoconhecimento e na melhoria da sua qualidade de vida.

Os principais objetivos do Psicólogo nesse contexto é acolher o paciente no tratamento reconhecendo-o como portador de uma doença, em que, seus sintomas são devidos ao excesso de peso, e que o mesmo não é conseqüência apenas de maus hábitos ou incapacidade para manter tratamentos clínicos. Destacando que o tratamento cirúrgico não é “mágico”, que a adesão, adaptação e cooperação do paciente são fundamentais nesse processo. Viabilizar e facilitar o processo de conscientização do indivíduo portador de obesidade mórbida de que existem fatores psicológicos que favorecem o surgimento e a manutenção da obesidade, bem como outros que podem comprometer o sucesso do tratamento cirúrgico.
Existem metas a serem alcançadas no período pré e pós-operatórios de forma consciente e que processos psicológicos são inconscientes podem comprometer este processo. Resgatar tais processos para o consciente e buscar sua resolução são tarefas do psicólogo.
Na avaliação psicológica pré-operatória têm-se como objetivos, perceber como este indivíduo, portador de obesidade mórbida, chega para o tratamento cirúrgico. Qual seu nível de entendimento a cerca de sua doença e da proposta cirúrgica, assim como as crenças e fantasias sobre as mesmas. Qual a sua motivação para o tratamento e disposição para enfrentar mudanças adaptativas, a história de vida e da obesidade do paciente e suas correlações, psicodiagnóstico e por fim a devolutiva para o paciente, na forma de plano de ação conjunta. Na avaliação psicológica no pós-operatório, os objetivos são: oferecer espaço visando à facilitação para que o paciente busque autoconhecimento, isto é, conhecer suas motivações, reações, percepção das emoções e identifique “autoboicotes”. Manter a ansiedade e o peso sob controle. Ter uma percepção e análise crítica dos sentimentos a cerca do procedimento cirúrgico e início das mudanças ou adaptações necessárias no comportamento para promover o sucesso do tratamento.
A cirurgia para obesidade mórbida costuma gerar grande expectativa nos paciente que aguardam para operar. Quando todas as alternativas de emagrecer foram frustadas, como dieta, por meio de medicamentos, reeducação alimentar, etc, o paciente acaba depositando sua esperança na cirurgia e isso já é motivo para gerar ansiedade.
O papel do psicólogo é ajudar o paciente a lidar com estes conflitos, estimulando o paciente a falar sobre si mesmo, conhecer-se e reconhecer-se, tentar compreender suas motivações, trazer a tona seus desejos inconscientes e trabalhá-los. Dar ao paciente a possibilidade de decidir o que ele quer, tomando para si as rédeas do processo de forma consciente e responsável.
Sabe-se que quando se trata de reeducação e adaptação de um novo estilo de vida, não e tarefa fácil. Principalmente pro sujeito com obesidade. Essa pessoa tem uma rotina desorganizada, algumas pessoas têm outras doenças associadas, como diabetes, pressão alta, etc. vale ressaltar também, que a pessoa obesa, encontra-se em um estado emocional prejudicado, com a auto-estima baixa, com queixas quanto à aparência, roupas, como a sociedade vê esse indivíduo, dificuldades em realizar tarefas simples, dificuldades na respiração e demais problemas citados pelos pacientes.
A pessoa chega a cirurgia com a fantasia de que esta é milagrosa, e que a partir dela, o maior dos seus problemas será resolvido. Negativo! O principal aspecto está voltado a motivação desse paciente. O quanto o mesmo está disposto a seguir com as recomendações feitas pelos profissionais, uma completa mudança em sua vida. Observa-se nesse estágio, que para fazer a cirurgia, além do que fora citado acima, desde complicações até mesmo a vontade de ter uma qualidade de vida melhor, o paciente que se dispõe a fazer essa cirurgia, é visto como uma pessoa de “coragem”. Coragem essa, que irá definir uma nova vida, com regras, com novos comportamentos, novas possibilidades. A pessoa não somente faz a cirurgia bariátrica porque o médico fez uma avaliação e determinou que a mesma precisava, mas porque essa quer uma vida com melhores e maiores possibilidades, como o simples fato de vestir uma roupa legal, como afirma uma das pacientes. De poder subir as escadas, ou de voltar a ter um lugar na sociedade, trabalhar, ir à igreja, etc.
Existem muitas dúvidas desse paciente quanto à cirurgia, e observa-se que, ao ouvir de alguém que também passou pela mesma cirurgia e não alcançou resultado algum, de forma positiva, interfere de maneira significativa, no sentido que, leva a esses pacientes, a se questionarem se terão os mesmo resultados, as mesmas dificuldades, ou comportamentos.
O trabalho do psicólogo na avaliação pré-operatória é de suma importância, visto que, a partir de avaliações precisas, por meio do psicodiagnóstico e observação desse paciente, é possível tirar conclusões se esse paciente está apito ou não para fazer a cirurgia. Os testes, por exemplo, podem identificar comprometimentos como ansiedade, depressão ou ideação suicida, comportamentos estes, que podem prejudicar tanto antes quanto após a cirurgia, podendo levar o paciente a óbito. A questão do apoio, suporte e acolhimento. Devido à auto-estima baixa e sentimentos de tristeza, de uma forma geral, o estado emocional deles, está comprometido. O trabalho do psicólogo nesse sentindo é fundamental, porque irá utilizar das diversas técnicas, e principalmente de uma escuta ativa para acolher esse paciente.
A avaliação psicológica pré-operatória é fundamental em qualquer tipo de cirurgia. Vê-se na bariátrica o caminho para uma nova vida, na qual são depositadas grandes expectativas, sonhos, e a busca por uma melhor qualidade de vida.
Deve-se considerar que diante toda essa expectativa gerada pela cirurgia, é também desencadeado sentimentos e emoções que podem influenciar na percepção dos resultados pós-cirúrgicos. E também, que o estar doente fisicamente, pode sim, uma complicação também psicológica, pois existe aqui, todo um preconceito para com esse indivíduo obeso, pressão psicológica por parte da família e as pessoas que cercam esse indivíduo, e um esforço imensurável exigido desse paciente. Grandes esforços variam de paciente para paciente. O que parece ser algo fácil para um, pode ser algo de difícil realização para outro.Obesidade - Ariane, 06.04.14

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